Article Highlight.

Rosangela Maria Vieira (rmvieira@cldc.howard.edu)
Sun, 12 Mar 1995 21:05:31 -0600

TO: Subscribers and supporters of The Journal of Afro-Latin American
Studies and Literatures-JALAS&L, ISSN 1051-1868
SUBJECT: JALAS&L's Article Highlight, Vol. II, No. 1

Copyright @ Winter 1995 by The Journal of Afro-Latin American Studies and
Literatures-JALAS&L, ISSN 1051-1865.

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The article we are highlighting today, "Emancipacao racial no Brasil:
uma continuidade historica" (Racial Emancipation in Brazil: An Historic
Continuum) by independent researcher, Tania Hering, underscores the
significance and impact of the many and continuous struggles Brazilians
of African ancestry have had to be engaged in in order to promote their
liberation from the repression imposed upon them over the centuries by
Brazilian prevailing orders. Hering examines these liberation movements
from an historic perspective highlighting the distressful manner in
which these movements have been eliminated by dominant sectors.

BEGINNING OF QUOTE:

Os movimentos emancipatorio-revolucionarios constam de maneira especial
no devenir total da nacao brasileira. E' dentro deste contexto historico
que objetivamo-nos a estabelecer o curso do processo liberador do negro
na grande ex-colonia portuguesa. Na efetivacao deste objetivo, propomo-nos
a mostrar, na primeira fase deste ensaio, os "Movimentos revolucionarios e
o controle repressor," onde destacamos as causas e consequencias das mais
significativas dessas lutas liberatorias. Nesta etapa tambem ressaltaremos
os contra-ataques do controle repressor branco. Na segunda fase deste ensaio,
"Grupos afro-brasileiros e as suas conquistas," propomo-nos a enumerar as
mudancas alcancadas pela comunidade negra brasileira por meio de suas lutas
emancipatorias. Em nossa conclusao inseriremos detalhes da tematica negra
de resistencia e teceremos especulacoes quanto 'as projecoes futuras sobre
a questao racial brasileira.

Movimentos Revolucionarios e Controle Repressor:

Desde o comeco, segundo afirma Abdias do Nascimento (intelectual negro
e figura de exponencial maximo na luta em favor dos direitos do negro
brasileiro), "o derramamento de sangue inocente na luta pela justica e
humanidade e' uma constante na historia da civilizacao brasileira."
No caso do holocausto africano, engendrado pelos portugueses e
implementado na nacao brasileira, "destacam-se incontaveis numeros
de homens, mulheres e criancas que foram cruelmente assassinados pelos
portugueses" (Nascimento, A. (1989). -Brazil, Mixture or Massacre?-.
Massachussets: TM Press, p. 8). Os portugueses foram os primeiros a
massivamente exterminarem e/ou escravizarem africanos no mundo a partir
de 1444 (Lamelle, S. (1992). -Pan-africanism for Beginners-. New York:
Writers and Readers-, p. 14). Foram os portugueses que tambem perpetuaram
a opressao e exploracao dos povos africanos ate' os tempos modernos, ou
meados de 1970, i.e., Africa lusofona--Angola: 1971; Cabo Verde e
Mocambique: 1975.

Ainda segundo Nascimento, "Brazilian white minority has feared a possible
takeover of power by Blacks throughout the entire course of its history"
(1989:8). E' interessante notar que tal temor continua ainda hoje a
reprimir e a esmagar. Devemos ressaltar, no entretanto, que embora a
populacao majoritaria brasileira (composta pelas comunidades ou povos de
descendencia africana) tenha sido e continua sendo o maior alvo da pobreza,
injustica, e agressao social no Brazil, de um modo geral, o temor da classe
dominante brasileira branca e' voltado 'a grande massa desprivilegiada e
explorada do Brasil em geral, seja ela composta da minoria branca ou mestica
empobrecida ou da maioria de origem africana. O massacre humano, empreendido
em formas muito variaveis, foi e ainda e' hoje o meio usado no Brasil para a
detencao das classes perifericas, e/ou revolucionarias, quando estas avancam
contra o agressor em poder. Para ilustrar esta assertiva tomamos como
exemplos as seguintes instancias ou fatos historicos:

Seculo Dezoito:

Na segunda metade do dezoito, com o movimento de independencia brasileira,
"Inconfidencia Mineira," seus principais integrantes (Tiradentes, e tambem os
poetas da Arcadia Mineira, entre eles Claudio Manuel da Costa e Tomas Antonio
Gonzaga) fazem uma reivindicacao pela liberdade comercial com a eliminacao
do monopolio da opressora coroa portuguesa. A estas reivindicacoes os
tiranos burgueses, em controle do poder no Brasil colonial, respondem com a
expatriacao ou o assassinato de muitos dos conjurados e com o enforcamento
e o esquartejamento impiedoso de Tiradentes, lider e martir inconfidente.

Imperio de Dom Pedro I:

Durante o despotico reinado do imperador portugues, Dom Pedro I, 'a
tentativa de participacao popular no processo de independencia a
aristocracia agraria luso-brasileira respondeu com ordens de "reprimir
violentamente o povo e os seus lideres" (Alencar, F. (1989). -Historia
da sociedade brasileira-. Rio de Janeiro: Livro Tecnico, p. 99). Tal
repressao resultou no fuzilamento de muitos nativos e na prisao de 300
paraenses os quais foram postos por mercenarios no porao de um navio
com escotilhas fechadas que atirando cal sobre eles, dois dias mais
tarde, quando aberto o porao, foram retirados os cadaveres.

Ainda durante o agitado reinado de Dom Pedro I, destaca-se um outro ato
barbaro perpetrado nas noites de 11, 12, e 13 de marco de 1830. Sao as
"Noites das Garrafadas" durante as quais, em um ataque das forcas lusas
(os "pes de chumbo," como eram referidos) contra os brasileiros (os
"cabralhadas"), os portugueses atiraram garrafas inteiras e aos pedacos
nos "invasores" crioulos, alem de tambem usarem suas artilharias usuais.
Segundo registra Alencar, "houve grande derramamento de sange e muitos
foram os brasileiros mortos neste processo" (112).

Depois da Abdicacao de Dom Pedro I:

Pouco depois da abdicacao de Dom Pedro I, e durante a tentativa de
Regencia no Brasil, encontramos o ataque denominado "Cabanagem," elaborado
pelos portugueses em resposta 'as demandas dos habitantes do Para'--estes
exigiam melhores condicoes de vida. Ainda segundo Alencar, em 1839, ao
findar esta agressao, dos 100.000 habitantes do Para', 40.000 tinham
morrido nos varios incendios, destruicoes e assassinatos promovidos pelas
forcas governamentais luso-brasileiras. Os proprietarios rurais, ajudados
pelas tropas do governo, tambem empreenderam um grande massacre (121-123).

Quanto aos povos brasileiros de origem africana, a sua condicao escrava,
em si, ja' retratava o abuso extremo do ser humano pelos portugueses. O
mito de que no Brasil a escravidao foi mais "branda," por exemplo, nao
recebe o suporte de serios intelectuais e estudiosos da presenca do negro
nas Americas. Ao contrario, pesquisas varias atestam ter sido a escravidao
brasileira das mais barbaras, crueis, e muito pior, ou igual, 'a de quaisquer
outros paises escravocratas, inclusive os Estados Unidos. Segundo Carl
Degler (1976) e Roger Bastide (1978), por exemplo, os indices de mortalidade
e de suicidio entre os negros do Brasil foram maiores do que em muitos outros
paises--a vida ativa de um escravo nas maos dos portugueses era de apenas sete
anos. No Brasil, os escravos velhos e doentes eram libertados e abandonados
tendo em vista a reducao do custo. Esta populacao de oprimidos tambem lutou
por sua emancipacao e liberacao, mas com um furor ainda maior ela foi detida.

END OF QUOTE

Other topics covered in Hering's article are:

"Exterminio da Republica de Palmares e outros movimentos liberatorios"
(The Extermination of the Republic of Palmares and Other Liberation
Movements);

"Apos a abolicao" (After Abolition);

"O massacre do grupo 'Beata,' em Canudos" (The Massacre of the Group
'Beata,' in Canudos);

"O massacre de afro-brasileiros por meio da teoria racista do
'embranquecimento,' (The Massacre of Afro-Brazilians by Means of the
Racist Theory of 'Whitening');

"Grupos afro-brasileiros e suas conquistas" (Afro-Brazilian Communities
and their Accomplishments);

"Singularizacao do grupo, codigos e valores, motivacao e legitimizacao,
elaboracao de uma auto-imagem, formacao de um cimento moral e a
preservacao de conquistas" (Group Singularization, Codes and Values,
Motivation and Legitimization, Creating a Self-image, Forming a Value
Basis, and the Preservation of Accomplishments).

The next article to be highlighted will be "Paz estoica no soneto
'Assim seja,' do afro-brasileiro Joao da Cruz e Sousa" (Stoic Peace
in the Sonnet 'Assim Seja' of the Afro-Brazilian Joao da Cruz e Sousa),
by Marcos Vieira. Cruz e Sousa is the writer considered by Brazilian
and international literary critics in general to be one of the greatest
symbolist poets along with Mallarme', Baudelaire, Verlaine, and Stephan
George. Vieira's essay is an indepth literary appraisal of the sonnet
"Assim seja" (So Be It) which reveals the inner peace and freedom the poet
achieved, at the end of his life, from the racism and discrimination he
experienced and portrayed in most of his works. Vieira also conveys the
magnitude of the poet's talent and quotes David Haberly to assert that
"Cruz e Sousa was the greatest writer of pure African blood to be born in
the Americas before the XX century." Cruz e Sousa was also the most
important writer of Brazilian Symbolist movement.

<Respectfully submitted by Kathleen Palombo King, Technical Editor, The
Journal of Afro-Latin American Studies and Literatures-JALAS&L, ISSN
1051-1868, <pgkpking@cyber.widener.edu>.